Diversidade e uso de plantas in Lavrado de Roraima: caracterização, biodiversidade, populações humanas e conservação na maior savana do Norte da Amazônia Brasileira

Autor

Ricardo de Oliveira Perdiz, Rodrigo Leonardo Costa Oliveira, Amélia Carlos Tuler, Luis Felipe Paes Almeida, Rachel Camargo Pinho & R. I. Barbosa

Data de Publicação

17 de julho de 2025

Resumo

O Lavrado de Roraima é a maior área contínua de savana do extremo norte da Amazônia brasileira. A área do Lavrado corresponde a 42.706 km2 (62,7%) da área total de savanas contínuas (68.145 km2) que cobre a tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela. Esta ecorregião contém um conjunto diversificado de fitofisionomias formando um mosaico de ecossistemas, não florestais (savanas típicas) e florestais, associados a diferentes tipos de solo, gradientes altitudinais e hidrológicos. Esta diversificação de ecossistemas gera uma grande heterogeneidade de habitats refletidos na diversidade de plantas e animais. Os estudos existentes sobre diversidade biológica do Lavrado ainda estão quase todos concentrados ao longo das principais rodovias e, portanto, não conseguem indicar a verdadeira magnitude de sua biodiversidade. Apesar das autoridades brasileiras terem classificado o conjunto desses ecossistemas como de altíssima prioridade para conservação, nenhuma área foi destinada especificamente à conservação do Lavrado. Por outro lado, ~57% de suas áreas estão protegidas na forma de Terras Indígenas, enquanto ~42% já estariam destinados às propriedades rurais e assentamentos. Apenas algo próximo de 0,5% estariam sob alguma forma de conservação. A expansão do agronegócio, em especial, soja, milho, arroz irrigado e pecuária, avançou rapidamente a partir dos anos 2000, inclusive sobre áreas úmidas, que são ambientes que funcionam como filtros de água naturais relacionados ao lençol freático. O Zoneamento Ecológico-Econômico de Roraima indicou algumas áreas potenciais para conservação no Lavrado, mas o ambiente político local é historicamente mais refratário do que empático pelo tema. Pensar em conservar o Lavrado é mais do que uma estratégia ambiental, passa a ser fortemente uma estratégia para evitar que os eventos climáticos extremos afetem a diversidade biológica, destruam patrimônios privado e público, e atinjam a economia e o bem-estar humano regional.

Citação

Perdiz RO, Oliveira RLC, Tuler AC, Almeida LFP, Pinho RC, Barbosa RI (2025). “Diversidade e uso de plantas.” In Barbosa RI (ed.), Lavrado de Roraima: caracterização, biodiversidade, populações humanas e conservação na maior savana do Norte da Amazônia Brasileira, 36-59. Editora INPA. doi:10.61818/56330693 https://doi.org/10.61818/56330693, https://doi.org/10.61818/56330693.

Formato .bib:

@InCollection{Perdizetal2025,
  author = {Ricardo Oliveira Perdiz and Rodrigo Leonardo Costa Oliveira and Amélia Carlos Tuler and Luis Felipe Paes Almeida and Rachel Camargo Pinho and R. I. Barbosa},
  booktitle = {{Lavrado de Roraima: caracterização, biodiversidade, populações humanas e conservação na maior savana do Norte da Amazônia Brasileira}},
  publisher = {Editora INPA},
  title = {Diversidade e uso de plantas},
  year = {2025},
  editor = {Reinaldo Imbrozio Barbosa},
  pages = {36--59},
  abstract = {O Lavrado de Roraima é a maior área contínua de savana do extremo norte da Amazônia brasileira. A área do Lavrado corresponde a 42.706 km2 (62,7%) da área total de savanas contínuas (68.145 km2) que cobre a tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela. Esta ecorregião contém um conjunto diversificado de fitofisionomias formando um mosaico de ecossistemas, não florestais (savanas típicas) e florestais, associados a diferentes tipos de solo, gradientes altitudinais e hidrológicos. Esta diversificação de ecossistemas gera uma grande heterogeneidade de habitats refletidos na diversidade de plantas e animais. Os estudos existentes sobre diversidade biológica do Lavrado ainda estão quase todos concentrados ao longo das principais rodovias e, portanto, não conseguem indicar a verdadeira magnitude de sua biodiversidade. Apesar das autoridades brasileiras terem classificado o conjunto desses ecossistemas como de altíssima prioridade para conservação, nenhuma área foi destinada especificamente à conservação do Lavrado. Por outro lado, ~57% de suas áreas estão protegidas na forma de Terras Indígenas, enquanto ~42% já estariam destinados às propriedades rurais e assentamentos. Apenas algo próximo de 0,5% estariam sob alguma forma de conservação. A expansão do agronegócio, em especial, soja, milho, arroz irrigado e pecuária, avançou rapidamente a partir dos anos 2000, inclusive sobre áreas úmidas, que são ambientes que funcionam como filtros de água naturais relacionados ao lençol freático. O Zoneamento Ecológico-Econômico de Roraima indicou algumas áreas potenciais para conservação no Lavrado, mas o ambiente político local é historicamente mais refratário do que empático pelo tema. Pensar em conservar o Lavrado é mais do que uma estratégia ambiental, passa a ser fortemente uma estratégia para evitar que os eventos climáticos extremos afetem a diversidade biológica, destruam patrimônios privado e público, e atinjam a economia e o bem-estar humano regional.},
  doi = {10.61818/56330693},
  modificationdate = {2025-09-21T15:06:28},
  url = {https://doi.org/10.61818/56330693},
}